segunda-feira, 25 de julho de 2011

Reriutaba: Violência no interior do estado causa abandono

Dezenas de casas abandonadas, escola e capela com portas fechadas. Na localidade de Vitória, na zona rural de Reriutaba, o silêncio só é quebrado pelo latido dos cachorros. “Aqui, está praticamente deserto. Virou uma localidade fantasma. Não tem quem queira ficar”, comenta Gerlândio Soares, 25 anos. A família dele é uma das que se mudaram para a cidade, fugidos da violência.
Das 21 casas construídas no local, apenas três continuam habitadas. A família de Gerlândio saiu de lá depois que ele e o pai - um agricultor de 56 anos - foram assaltados por homens encapuzados e armados. Os dois seguiam de moto para casa, numa estrada carroçável, quando foram abordados pelos assaltantes, no dia 8 de maio último.
“Os bandidos saíram de dentro do mato. Estavam mascarados, só com os olhos de fora”, conta o pai, Paulo Soares Furtado. Os assaltantes levaram a moto, os dois capacetes, uma carteira com documentos, um relógio, cerca de R$ 30 e o sossego da família do agricultor. “Fiquei com medo mesmo”, diz.
Quinze dias após o assalto, a família se mudou para a cidade. Eles alugaram uma casa perto do Centro de Reriutaba. “São R$ 120, fora a luz e a água”, lembra a mulher do agricultor, que trabalha como professora numa escola pública. “Nunca tinha dado vontade de morar na rua (cidade). Mas a gente ficou com aquela insegurança de continuar no Interior”, acrescenta o filho, Gerlândio Soares.
Foi o jovem quem guiou O POVO pela localidade de Vitória, numa manhã de sábado. O acesso é ruim e as casas ficam distantes umas das outras. “Essa aí foi a primeira a ser abandonada. Os bandidos entraram e renderam um casal de idosos”, aponta Gerlândio. Em todo o percurso, o cenário é de abandono. Apenas mato e casas com portas e janelas fechadas. “Quase todo mundo foi assaltado”, afirma.
A família de Gerlândio morava numa casa simples ao lado de uma capela e de uma escola. O colégio deixou de funcionar há mais de um ano por falta de alunos. A “igrejinha” também deixou de receber os fiéis. “Vinha um padre de Reriutaba, mas, ultimamente, tinham só cinco pessoas pra assistir à celebração”, diz a mãe, Graça Furtado, de 53 anos.
Dona Graça conta que o mais difícil foi convencer sua mãe a sair do sítio. “Ela morava com a gente. Dizia que só ia pra Reriutaba quando morresse. Mas depois do assalto, viu que não tinha condições de ficar. Todo mundo ia trabalhar, estudar e ela ficava só”, explica.
No sítio, ficaram apenas dois cachorros e um gato. “Eu nem gosto de vir aqui. Só vim pra acompanhar vocês. É triste, dá uma sensação ruim”, revela Gerlândio. O pai dele ainda vai todo dia de bicicleta cuidar da roça e “dar comida pros cachorros.” “Tou indo por enquanto, mas depois vou trazer os cachorros pra rua, pra morar comigo.”
Entenda a notícia
Historicamente, o êxodo rural foi motivado por busca de melhores empregos, de mais infraestrutura ou fuga de desastres naturais (secas ou enchentes). A violência surge como um fator novo, que tem afastado, cada vez mais, moradores da zona rural.
Fonte: O povo online

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